Qual o Papel do Professor de Apoio (Mediador) na Sala de Aula Inclusiva?

Com a matrícula da criança com Síndrome de Down na escola regular, surge a figura do profissional de apoio escolar, também conhecido como mediador, acompanhante terapêutico ou tutor.

Este profissional é um direito garantido por lei, mas sua função exata ainda gera muitas dúvidas entre pais e educadores. Qual é, afinal, o verdadeiro papel do professor de apoio?

Entender essa função é essencial para garantir que a inclusão aconteça de forma eficaz e que o aluno não seja nem desassistido, nem segregado dentro da própria sala.


O que a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) Diz?

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) assegura o direito à educação inclusiva. Ela determina que as escolas (públicas e privadas) devem prover “profissionais de apoio escolar” para alunos com deficiência que demonstrem essa necessidade.

É crucial notar que este profissional deve ser disponibilizado pela escola, e os custos desse serviço (em escolas privadas) devem ser incluídos na mensalidade geral de todos os alunos, sendo ilegal a cobrança de qualquer taxa extra da família do aluno com deficiência.


As Funções Principais do Profissional de Apoio

O objetivo do mediador não é ser um “professor particular” do aluno, mas sim uma ponte entre o aluno, o professor regente da turma e os colegas.

1. Mediação Pedagógica

Esta é a função mais importante. O profissional de apoio não cria um currículo paralelo, mas adapta as atividades propostas pelo professor regente para que o aluno com T21 possa participar.

  • Ele simplifica enunciados, oferece suporte visual, ou divide uma tarefa complexa em etapas menores.
  • Garante que o aluno tenha os recursos necessários para acompanhar a turma, dentro do seu próprio ritmo.

2. Mediação Social e Comportamental

O apoio ajuda o aluno a se relacionar com os colegas, facilitando a comunicação e a participação em brincadeiras e trabalhos em grupo. O objetivo é estimular a interação, e não isolar o aluno em uma “dupla” com o mediador.

3. Auxílio em Atividades de Vida Diária (AVDs)

Caso o aluno necessite, o profissional de apoio também auxilia em tarefas de autocuidado, como ir ao banheiro, alimentar-se ou locomover-se pela escola. Essa necessidade deve ser avaliada individualmente.


O que o Profissional de Apoio NÃO Deve Fazer

É fundamental que a atuação do mediador não se torne uma barreira. O profissional não deve:

  • Isolar o aluno: Sentar com o aluno em um canto da sala, separado do grupo.
  • Fazer a atividade “pelo” aluno: A mediação é dar suporte, não dar a resposta pronta ou fazer o trabalho pela criança.
  • Ser a única referência social: O mediador deve ativamente incentivar que os outros colegas interajam com o aluno.

O sucesso da mediação é medido pela sua progressiva desnecessidade. O objetivo final é sempre o de construir a autonomia do aluno para que, um dia, ele possa navegar o ambiente escolar com o mínimo de suporte possível.

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